Adolescência: De Rio A Mar

A palavra adolescência provém do latim : adulescens, do verbo adolecere (ad = para e olescere = crescer) e designa a fase da vida entre a infância e a idade adulta.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a adolescência ocorre entre os 10 e os 19 anos idade e divide-se em três fases: a adolescência precoce (dez aos doze anos), a adolescência média (treze aos 16 anos) e adolescência tardia (acima dos 17 anos).

A adolescência é uma fase de extrema importância do desenvolvimento humano, onde ocorrem múltiplas alterações físicas, psicológicas, cognitivas e sociais que merecem toda a atenção e foco por parte dos adultos com papéis educativos.

Como mãe e coach de adolescentes foi determinante perceber e conhecer o funcionamento do cérebro dos adolescentes para compreender melhor o comportamento e as necessidades dos mesmos. Eu diria que esta informação é essencial para os adultos compreenderem que,  apesar das mudanças físicas (altura, tom de voz, etc.),  o cérebro ainda não está maduro o suficiente para lidar com certos desafios e com as mudanças repentinas de humor a que estão sujeitos. Assim, fica mais fácil, para os adultos, colocarem o foco na relação e não no comportamento.

Na adolescência  é fundamental entender que a parte cerebral responsável pela capacidade de tomar decisões, planear, pensar em consequências, resolver problemas e controlar impulsos, situa-se na parte mais frontal do cérebro (cortex pré-frontal)  que de acordo com a neurociência, só está completamente desenvolvido aos 24 anos de idade.

A amígdala, parte mais antiga e básica do nosso cérebro (associada às emoções, à agressividade e ao comportamento instintivo e impulsivo) é a mais utilizada pelos adolescentes para tomar decisões.

Eu costumo dizer que os adolescentes são mais emoção e menos razão!

Os nossos filhos nascem rios com margens estreitas. Os pais são as margens do rio que os ajudam a crescer, a ampliar o leito com amor, dedicação, responsabilidade, muita curiosidade, proteção e satisfação das necessidades básicas.
Quando os filhos ainda são rios, não conhecem o mundo, vêm curiosos e vão explorar o mundo com os pais.
O rio vai crescendo, vai-se tornando mais forte, mais capaz e as margens (os pais) têm de permitir que o leito do rio flua em direção ao mar, oferecendo-lhe autonomia, confiança e autoestima e ampliando-lhes o leito, sempre, com amor e segurança.

Até à adolescência os pais caminham ao lado dos filhos, a partir da adolescência os pais caminham dentro do coração dos filhos e tornam-se nas suas bússolas internas.

Quando chega a adolescência o rio transforma-se em mar. Um mar cheio de força vital, de pulsão sexual e vocacional, que cresce e se vai desenvolvendo no meio de tempestades e bonanças.
Na adolescência, o segundo nascimento, os jovens querem encontrar o seu lugar, construir a sua identidade, conhecer o mundo e explorá-lo fora de casa, com os seus pares,  no mar da vida.

Nesta fase, os pais têm também de encontrar o seu lugar na relação e redefinir as suas intenções para esta fase, tendo sempre presente que continuam a ter a maior responsabilidade na relação. Por isso, é fundamental que os pais estejam próximos, comuniquem de forma consciente os seus limites, que se divirtam em família, que mantenham a intimidade emocional e que os acolham nas fases mais desafiantes.

Apesar dos nossos filhos adolescentes serem Mar, ainda não navegam nas águas mais profundas, por isso, somos nós, o mar adulto, que temos de lhes assegurar o porto seguro  onde eles podem  voltar sempre, descansar, confiar e sentirem-se amados para que não se percam, desapareçam ou se afundem.

De rio a mar, cuidem muito, amem muito, porque no final, os nossos filhos, crianças e adolescentes só precisam de confiar que podem voltar ao amor, dos pais e/ou dos cuidadores sempre que precisarem de adubo emocional, seja num abraço, num beijo, numa palavra amorosa, no silêncio ou nas memórias que guardaram do amor recebido.

 

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6 respostas

  1. Que texto tão elucidativo sobre o que é crescer com amor e segurança. Vou trabalhar para focar na relação então!
    Obrigada!

  2. Que belíssima analogia que, pela sua riqueza, nos amplia enquanto simplifica a relação e a compreensão dos papéis e necessidades das partes!
    Parabéns querida Helena!

    1. Sinto-me de coração cheio, querida Renata Ribeiro. Estamos, ambas, comprometidas com a missão de tornar a vida dos adolescentes mais leve, consciente e responsável. Navegamos o mesmo mar.

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