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O Paradigma da Parentalidade Consciente

Aqui estou eu! Quem és tu?

Jesper Jull foi um terapeuta familiar dinamarquês e uma grande referência para a Parentalidade Consciente. Escreveu o livro “Here I am, who are you?” (“Aqui estou eu, quem és tu?”), em que nos conduz a fazer uma reflexão sobre quem realmente somos (como pais e filhos) e quem são os nossos filhos, que acabamos de conhecer, que nunca tínhamos visto antes. Olhar com curiosidade e mente de principiante para nós, como pais, e para os nossos filhos, vai permitir a todos viver uma Parentalidade Consciente e respeitosa.

A Parentalidade Consciente, para mim, foi uma das formações do Desenvolvimento Pessoal que mais me capacitou para viver com os meus filhos um relacionamento seguro e alinhado com a minha essência.

Tenho consciência que a minha história de origem não me deu a literacia emocional que eu precisaria para me relacionar com os meus filhos de forma autêntica e, por isso, fui sempre procurando descobrir as minhas capacidades, talentos e as minhas crenças.

Até ter sido mãe, poucas vezes me atrevi a “Ser” e assumo ter sido muitas vezes volúvel.

Volúvel, porque escolhia repetir padrões que alguém designou como os certos, e não me questionava, não tinha a coragem de ser diferente e de ser aquilo que todos somos, únicos.

Para que os meus filhos tenham noção do seu valor pessoal, das suas capacidades e limites e para que vivam alinhados como o que São e não com o que querem que eles sejam, eu tive de mudar, eu tive de ter a coragem de Ser quem sou com os que mais amo e admiro. Esta foi a chave que abriu a primeira porta para a liberdade!

Quando a “campainha” tocou cá dentro e fez do meu corpo mensageiro, percebi que estava desalinhada com a minha essência. Tomei consciência que aquele era o momento para arrancar e descobrir as crenças e os padrões disfuncionais que estavam a limitar a minha expansão e a impedirem-me de Ser!

Com o aprofundamento do autoconhecimento, com os cursos de Desenvolvimento Pessoal, com a terapia e com o Mindfulness, consegui aceitar a minha história de origem e a história dos que mais influenciaram a minha história, sem esforço. Por um lado, deixei de resistir, por outro deixei de usar essa história para me vitimizar. E foi aqui que comecei a escrever um novo capítulo sobre a minha história, no qual permiti e permito que as emoções ganhem espaço e onde assumi e assumo a responsabilidade pelas minhas ações e comportamentos.

Descobri que tinha de cuidar da minha criança interior e que só conseguia fazê-lo com Amor. Acredito que o amor me diluiu! Permitiu-me deixar ir o que tinha de ir, deu-me leveza, fez-me perceber que nada é fixo ou permanente e que o que eu consigo controlar na vida é muito pouco.

Para entender melhor o meu Eu e a forma como me relaciono com os meus filhos e com os outros no geral, foi muito importante estudar os fundamentos da Parentalidade Consciente e viver os seus valores: autenticidade, respeito pela integridade, responsabilidade pessoal e igual valor.

Durante a caminhada, fui descobrindo os meus limites e necessidades e também as dos meus filhos e marido. Uma das grandes aprendizagens que fiz, foi a de compreender que os comportamentos expressam uma necessidade. De acordo com a idade da criança e também a fase de vida em que o adulto se encontra, pode ser difícil perceber qual é a necessidade que precisa ser satisfeita. Para isso é preciso promover a empatia entre todos. O olhar curioso e a paciência são duas atitudes que fazem milagres no relacionamento com os nossos filhos, e não só!

Um dos meus primeiros passos foi listar as minhas intenções para a Parentalidade que queria viver. As intenções são a minha bússola e tê-las bem presentes possibilita-me voltar ao caminho certo, sempre que saio do trilho.

Sair do trilho é normal, é a forma mais inteligente que temos de mostrar aos nossos filhos que somos Humanos! Que somos imperfeitos! Que perfeição é uma idealização imposta pela Sociedade virtual, que se mostra com filtros. Esses são os filtros que podem destruir a nossa autoestima, se não tivermos consciência do nosso valor pessoal.

Um dos valores da MindSteps é a conexão.

Para promover uma maior conexão com os meus filhos, precisei de entender as minhas emoções, as meta-emoções e os sentimentos. Neste processo de Autorregulação emocional foi muito importante perceber que todas as emoções são bem-vindas, que devemos validá-las, e que não devemos reprimi-las ou tentar controlá-las. No entanto, a forma como as expressamos tem de ser ajustada, regulada. Este é um ensinamento primordial para os adultos e para as crianças, para que eles saibam reconhecer e validar as emoções que estão a viver para que possam satisfazer as suas necessidades de forma adequada e respeitosa e saber pedir ajuda.

Com esta caminhada fui sendo cada vez mais autêntica com as minhas necessidades e valores, transformei crenças limitadoras em possibilitadoras, acreditei mais nas minhas capacidades, confiei no meu valor pessoal e nos meus filhos e, com isto, sinto que aumentei a minha autoestima e que promovo em casa uma comunicação consciente.

A PC permitiu-me ver que a solução está na relação e não no comportamento.

Uma relação não é algo que simplesmente acontece, mas sim algo que se trabalha e que é intencional.

A minha intenção para a relação com os meus filhos é ser autêntica, promover uma autoestima saudável e dar-lhes amor.

A Parentalidade Consciente mudou o meu paradigma educacional e hoje só consigo olhar para a Parentalidade Consciente como um paradigma relacional que promove relações saudáveis entre Pais/Educadores e filhos, que têm como alicerces a empatia, a conexão, o amor e o respeito pelas diferenças individuais.

Aqui estou eu! Quem és tu?

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