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Sentimento de Culpa

A culpa é um sentimento que todos nós já sentimos e que não gostamos de sentir. Vivemos este sentimento desagradável por causa do impacto negativo, o dano ou prejuízo, que a nossa ação causa, ou que acreditamos que causa, no outro, na sociedade em geral e até em nós próprios.

A culpa é um sentimento que surge da percepção que falhei com o outro, que falhei comigo, ou mesmo quando imagino que o outro pensou que eu falhei.

Sermos capazes do sentimento de culpa é, por princípio, um bom sinal, somos pessoas, somos seres com consciência moral e não seres amorais, na realidade temos noção de que há ações boas/corretas e que há ações más/ incorretas.

Mas, qual é a origem do sentimento de culpa se nascemos amorais?

As nossas primeiras grandes influências e modelos morais e éticos, são a família. Durante o nosso crescimento, vamos aprendendo as regras sociais, jurídicas, religiosas e morais da sociedade, nos diferentes ambientes onde estamos inseridos.

Todo o ser humano erra, falha, prevarica, e tudo isso faz parte da vida das pessoas, é normal.  Contudo, quando agimos contra aquilo que é considerado “normal” ou moralmente aceite pelo grande grupo, podemos sentir culpa, vergonha, podemos sentir-nos mal-amados, incompreendidos, julgados, enfim podemos sentir um conjunto de sentimentos muito intensos e desagradáveis, sem sequer nos questionarmos ou pensarmos sobre a origem desse sentimento e se ele efetivamente fará sentido sempre que o sentimos.

Pessoas muito ansiosas, com baixa autoestima, falta de amor próprio ou pessoas que têm uma grande necessidade de controlo e/ou de cuidar dos outros, vão ter mais tendência para sentir que falham e por esse motivo tendem mais facilmente a criar sentimentos de culpa.

Estas pessoas experienciam, muitas vezes, um grande sentimento de culpa, até por aquilo que não fizeram.

Faz sentido a pessoa poder arrepender-se ou sentir culpa na sequência de uma ação concreta cujo resultado causou dano a alguém.  Mas não faz qualquer sentido, por exemplo, carregar a culpa pela ação do outro.

Quando os pensamentos negativos de culpa são recorrentes e desajustados devido a uma história biográfica e social que condicionou negativamente o processo de desenvolvimento, a pessoa chega a viver sentimentos de culpa mesmo por aquilo que não faz e que não é da sua autoria.

Na nossa época, das tecnologias da comunicação, temos nas redes sociais padrões disfuncionais de perfeição, que distorcem a realidade e nos influenciam negativamente. A busca incessante da perfeição, da felicidade permanente feita através da comparação com pessoas “perfeitas” e sorridentes, pode levar ao agigantar do sentimento de culpa da pessoa, por esta se sentir diminuída, incapaz, aquém da “perfeição”.  É o sentimento de vergonha de quem se olha ao espelho e vê a sua imagem distorcida devido à autoavaliação negativa que faz em comparação com o outro do mundo virtual.

Aprender a lidar com os pensamentos, agir com intenção, definir as nossas intenções, podem ser dois importantes passos para lidar com o sentimento de culpa, com mais leveza.

Se temos muitas crenças que limitam a nossa ação, relacionadas com a culpa, vergonha, etc., devemos começar por identificá-las, procurar a ajuda de profissionais especializados, para que possamos evoluir e lidar melhor com este sentimento pesado e nefasto, no relacionamento que mantenho comigo e com o outro.

Palavras como punição, consequência, julgamento, medo, insegurança, solidão, relacionam-se muito com a culpa, por conseguinte é difícil lidar com esta problemática, no entanto, há que entender que é possível desenvolver competências emocionais para lidar não só com a culpa, como com todas as restantes emoções e alterações de estados emocionais associados.

Com tudo isto, não quero dizer que a culpa que sentimos é causada pelo outro, pois muitas vezes causamos dor ao outro e a nós.

A culpa e a vergonha são sentimentos muito relacionais, que se fomentam nos relacionamentos que vamos mantendo.

Exemplos de situações que podem originar sentimento de culpa:

Trair outra pessoa. Mesmo que a pessoa traída não saiba, eu posso sentir-me culpado pela minha ação.

Insultar. Quem insulta sabe que pode estar a causar sentimentos menos bons ao outro.

Masturbação. Caso a pessoa que pratica a masturbação seja muito religiosa e acredite que está a cometer um pecado, na sua perspetiva religiosa, ela sabe que está a pecar, logo pode sentir culpa.

Para lidar com o sentimento de culpa e evitá-lo quando é desajustado, precisamos de desenvolver empatia e autoempatia, pois só temos consciência que estamos a causar dano ao outro quando conseguimos tentar adivinhar o que o outro possa estar a sentir.

 

Como podemos lidar com o sentimento de culpa?

Pedindo desculpa, mostrando arrependimento, continuar a investir no autoconhecimento, no desenvolvimento da Inteligência emocional, na descoberta dos valores, no entendimento e aceitação da história de vida, assumindo a responsabilidade pessoal dos padrões que identifica como limitadores e que não dão resposta às necessidades do momento.

É desejável que aprendamos a lidar com as nossas emoções e os nossos sentimentos de forma saudável e por forma a que sejamos capazes de viver e conviver.

Compaixão, aceitação, compreensão, expressão emocional, liberdade, amor, empatia e auto empatia, são valores fundamentais para o desenvolvimento de um mundo melhor e, com menos sentimento de culpa!

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